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Técnico do Inter menospreza repórter com declaração machista: "Não farei essa pergunta porque você é mulher"


"Desculpe, eu não vou fazer essa pergunta para você porque você é mulher e de repente não jogou". Foi com essa declaração que o técnico do Internacional, Guto Ferreira, expôs uma situação recorrente no cotidiano de mulheres que trabalham com o futebol: o machismo. A resposta de Guto, citada acima, foi dada à jornalista Kelly Costa, da RBS TV, durante uma entrevista coletiva.
O técnico do clube gaúcho se incomodou com a pergunta provocativa de Kelly — que é o que os jornalistas fazem: indagam, questionam, tiram da zona de conforto — e resolveu afinetá-la. Após perceber que se exaltou, Guto se desculpou.
Mas a sensação de subestimação se perpetuou pelas redes sociais — manifestada em forma de apoio tanto por colegas de profissão de Kelly como por internautas. A jornalista Renata de Medeiros, do Futebol da Gaúcha, saiu em defesa da repórter e, ainda, expôs outras situações às quais são submetidas as mulheres que trabalham com o futebol. 
"Isso foi o que Guto Ferreira, técnico do Inter, falou para uma repórter mulher por não ter gostado da pergunta dela em uma entrevista coletiva transmitida por inúmeras rádios, TVs e sites. Caro Guto: creio que, no momento em que tu falaste isso, tu não tinhas ideia do peso dessa frase na vida das poucas mulheres que ainda insistem em trabalhar e invadir o ambiente futebolístico que vocês, homens, pensam pertencer só a vocês. Infelizmente, Guto, não é só tu que pensa assim. Talvez tu não me conheça, mas eu sou a única repórter mulher no Futebol da Gaúcha. Mesmo tendo feito minha primeira jornada em 2015, em muitas transmissões, por exemplo, ainda tenho que fechar os ouvidos para os gritos que vêm da torcida", desabafou.
E o relato continua:
"Imagina que assustador, Guto, uns 20 caras cantando pra ti (...) repetidamente, enquanto tu trabalha. E sabe o que eu (e todas as mulheres, torcedoras, repórteres ou seja mais quem seja) tenho que fazer? Fingir que não é comigo. Por que sabe o que a gente sente? Que ali não é o nosso lugar. E isso acontece todos os dias — no estádio, na redação, na rua. Chega a ser cansativo, mas todos os dias a gente tem que provar que tem condições de trabalhar com futebol. Que louco né?".
Depois de tantas manifestações de apoio, a jornalista Kelly Costa se pronunciou sobre o caso. Explicou que o técnico pediu desculpas pessoalmente a ela e, inclusive, à equipe com a qual ela trabalha. No entanto, reforçou a dificuldade que é ser mulher na sociedade atual:
"Que bom que esse acontecimento nos fez recolocar em pauta uma discussão que já existe há muitos anos e não pode morrer. O machismo está na sociedade inteira. Não só no futebol. Está em todos os lugares e todas as profissões. Todas as mulheres que eu conheço algum dia foram alvo de comentários machistas. Alguém aí não? Então, o que eu desejo hoje é que tenhamos força e resistência pra desconstruir isso tudo: o machismo, o racismo, o sexismo, a homofobia... O preconceito precisa ser desconstruído. Que essa seja a luta de todos. Vamos em frente!"
"Não há justificativa qualquer que explique minha infeliz declaração após a partida de ontem. Mesmo sem ter a intenção, cometi um ato machista, deselegante e completamente fora de propósito. Esse tipo de declaração não condiz com meus procedimentos e condução de vida. Não me cabe aqui explicar o que quis dizer e nem esperar que alguém mude sua análise sobre minha frase", afirmou.
"Como um homem casado há 21 anos e pai de dois filhos, só me resta lamentar minha infelicidade e pedir desculpas publicamente à repórter Kelly Costa e a todas mulheres que tomaram conhecimento do episódio. Nossa vida é feita de aprendizados e duras lições. A de ontem nunca mais sairá da minha memória", completou Guto.
R7
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