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Um terço dos aeroportos em reforma em 2015 tem menos de 10% das obras feitas

O investimento estatal para adequações e reformas dos aeroportos brasileiros caminha em marcha lenta. Ao todo, são 15 aeroportos no País que têm planejados para eles esforços de melhorias, entre adequações e ampliações, a serem concluídos neste ano. No entanto, somente três estão com obras finalizadas e cinco deles, sob administração total da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), sequer chegaram ao patamar de 10% de conclusão até o momento. Outros duas reformas, de menor porte, nem sequer saíram do papel. 
Os dados estão na portaria do Ministério do Planejamento publicada na edição do último dia 30 do Diário Oficial da União, que atualizou os números da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015 considerando o 4º bimestre (julho/agosto).
A adequação do Aeroporto Internacional Eurico de Aguiar Salles (Vitória/ES), até agosto, só teve realizados cerca de R$ 5 milhões do total de R$ 100 milhões autorizados para este ano. O valor é cerca de um quinto do investimento que visa a construção de um novo terminal de passageiros.
Paralisada há sete anos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por conta de irregularidades com superfaturamento e sobrepreço, a obra foi reiniciada em julho. Apesar do fraco desempenho em 2015, em junho passado o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, manteve o prazo de conclusão total para 2017.
A situação do Aeroporto Internacional Alberto Alcolumbre (Macapá/AP) é parecida. As obras estavam paralisadas desde 2008 e retomaram em agosto. Por conta disso, pouco mais de R$ 2 milhões foram realizados de um total de R$ 70 milhões.
No projeto para a Copa Mundo do ano passado e sob responsabilidade do governo do Mato Grosso, a obra do Aeroporto Internacional Marechal Rondon (Cuiabá/MT) está paralisada por uma série de problemas com o consórcio contratado. Do total de R$ 21,8 milhões, somente R$ 1,3 milhão foi aplicado.
Em 2013, a obra de ampliação do aeroporto teve aditivos aprovados e, no ano seguinte, foi considerado pelos passageiros por duas vezes o pior aeroporto entre os das cidades-sede do mundial.
O Aeroporto Mário de Almeida Franco (Uberaba/MG) não recebeu nenhuma aplicação do valor que estava previsto. O terminal deveria estar sendo reformado, conforme emenda coletiva que fixava R$ 10 milhões para adequações do terminal em 2015. Apesar disso, até agosto nada foi feito no local. O ponto é estratégico e serve como principal porta de entrada da cidade que funciona como polo agroindustrial do Triânglo Mineiro. 
Já o Aeroporto Presidente João Suassuna (Campo Grande/PB), que vem registrando aumento no número de passageitos, não teve aplicado nenhum real do total de R$ 1 milhão destinado para pequenas adequações em 2015. Há três anos, a Infraero licitou o contrato de adequação da recuperação da pista de pouso e decolagem, pista de táxi e dos sistema de drenagem superficial, nivelamento do balizamento luminoso, pavimentação e recuperação estrutural.
Menos de 40% 
Do que consta na LOA de 2015 como autorizado para a Aviação Civil, somente 38,8% foi executado até agosto. Em valores, isso corresponde a pouco mais de R$ 621 milhões realizados em um universo geral de um montante de quase R$ 1.602 bilhão.
O secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil, Guilherme Ramalho, explicou que com o Decreto de Contingenciamento nº 8.456, do fim de maio, a realidade de investimento mudou. Ele se refere a quando a presidente Dilma Rousseff optou por priorizar os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que já estavam em andamento e/ou em fase de conclusão. 
Com base nisso, Ramalho enxerga de maneira positiva o cumprimento das metas para 2015. "Há obras com performances diferentes, algumas com problemas, e isso é sabido. Mas, considerando o limite orçamentário, é muito boa", disse.
iG pediu à Infraero o valor que foi cortado do montante destinado às reformas no ajuste fiscal e pediu também que fossem explicadas as razões para o atraso nas intervenções previstas nos terminais aeroviários – e para que também fosse evidenciada a nova realidade de previsão de investimento. A estatal não passou o valor do contingenciamento e justificou a baixa execução como "reflexo do Decreto de Contingenciamento", com suas características de prioridade.
Outros aeroportos
Os únicos três aeroportos com intervenções para 2015 completos são o Aeroporto de Goiânia (GO), o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (Manaus/AM) e o Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas/SP). 
A maior adequação, em Goiânia, teve custo de pouco mais de R$ 94 milhões. Na reforma do terminal manauara foram aplicados R$ 4,16 milhões e, nas obras no aeroporto paulista, foi cumprido o total do investimento autorizado de R$ 1 milhão.
Os aeroportos de Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador não foram considerados por estarem em processo de concessão. 

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