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ACM Neto diz que projeto do BRT de Salvador vai continuar só no papel

Em meio a muito espera e expectativa, o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) afirmou que sem os recursos prometidos pelo governo federal, o projeto do Bus Rapid Transit (BRT) – em tradução livre Trânsito Rápido de Ônibus – não sairá do papel.
A proposta era construir o corredor exclusivo para ônibus entre a Lapa e a Ligação Iguatemi-Paralela (LIP), trajeto de 8,7 quilômetros que passaria pelo canteiro central da Vasco da Gama e as avenidas Lucaia, Juracy Magalhães e ACM, até chegar ao Iguatemi – cerca de 15 minutos para completar todo o trajeto desde a Estação da Lapa.
Com custo inicial estimado em R$ 820 milhões, a obra previa R$ 300 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC da Mobilidade), do governo federal, outros R$ 520 milhões de empréstimos da Caixa Econômica Federal e mais R$ 350 milhões de contrapartida dos cofres soteropolitanos.
“Depois de muita enrolação e justificativa, o governo até agora não tem uma posição formal pra oferecer à prefeitura sobre o BRT. Eles não dizem o que vão fazer, mas todas as informações que temos de bastidores é de que os recursos para o BRT estão comprometidos, e entraram nos cortes que o governo está fazendo”, revelou o prefeito, em entrevista a uma rádio local. Na primeira etapa, as obras teriam prazo de 24 meses para serem concluídas.
“O governo federal anunciou o PAC Mobilidade e disse que esses recursos estariam protegidos de qualquer tipo de corte. Mas o tempo passou, e hoje o BRT não está autorizado pelo governo”, lamentou o gestor soteropolitano.
Quem também encontra dificuldades com repasses do governo federal é o governador Rui Costa. Esta semana, como mostrou à Tribuna, o líder baiano admitiu dificuldades para captar recursos da União para a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto que pretende ligar o bairro do Comércio a Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Apesar disso, Rui Costa informou que a solução é fazer o VLT em um formato de parceria com o setor privado. 
De acordo com o governador, como o serviço conta com cobrança de passagem, como o metrô, o sistema se tornaria rentável, o que poderia despertar o interesse da iniciativa privada.
“Tendo recursos federais, evidente que o custo fica menor para o Estado e para a população”, disse Rui. A proposta do VLT é substituir o atual Trem do Subúrbio. Ele terá 18,5 quilômetros de extensão e contará com 21 estações.
As intervenções ocorrem em duas fases, com a primeira entre o Comércio e Plataforma, com 9,4 quilômetros, e a segunda, entre Plataforma e São Luiz, com nove quilômetros.
O investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão. Entretanto, o prefeito ACM Neto discorda em buscar parcerias público-privadas para implantar o BRT em Salvador.
“Existe um sistema já estruturado de transporte público por ônibus em Salvador, e o BRT tem que, naturalmente, estar integrado a esse sistema. Então, o BRT depende de financiamento [público] mesmo, não tem jeito, e sem esse financiamento federal que foi prometido, infelizmente, não tem como sair do papel”, disse durante lançamento do programa de reestruturação da Defesa Civil de Salvador (Codesal). 
Sobre o VLT, o gestor democrata diz que não é fácil garantir uma operação rentável de transporte público na capital baiana. “Você tem a referência do trem do Subúrbio, que tem que demandar vários subsídios por parte do governo do Estado, como demandava quando era da prefeitura. Não vejo viabilidade, nem enxergo sequer um investidor interessado em um projeto como esse que depende, naturalmente, de recursos públicos. Mas, quem sabe o governador tenha uma carta na manga”, opinou.
Oposição diz que BRT é caro e desnecessário
Os 8,6 km de avenidas que ligam a Estação da Lapa à Ligação Iguatemi-Paralela (LIP) teriam previsão de ser percorridos em apenas 15 minutos com a construção do sistema BRT (Bus Rapid Transit).
A ideia era construir vias exclusivas de ônibus articulados e climatizados, com três viadutos, cinco elevados e nove estações de embarque e desembarque. Mas, para a oposição na Câmara de Vereadores, a proposta do BRT é cara e desnecessária.
“Todos sabem a minha posição crítica ao BRT. Primeiro, é o mais caro do mundo: R$ 93 milhões por quilômetro, para fazer o mesmo roteiro que o metrô?”, questionou o vereador Gilmar Santiago.
Para o edil petista, a prefeitura de Salvador deveria buscar outras alternativas mais baratas e eficazes para atender os usuários do transporte público da capital baiana.
“O prefeito [ACM Neto] deveria buscar discutir com a sociedade uma outra alternativa viária, mesmo baseada em ônibus, para fazer essa integração com o metrô”, defendeu, ao negar que o corte dos recursos, prometidos pelo governo federal, seja uma retaliação ao gestor democrata.
“Com a atual situação econômica, está se tentando preservar programas sociais. Vamos esperar a economia voltar a crescer para darmos continuidade aos investimentos”, justificou Gilmar. 
Já a vereadora Vânia Galvão, em entrevista à Tribuna, afirmou que a culpa pelo cancelamento do projeto do BRT também tem parte da prefeitura.
“Pelo que me lembro, há três meses, quando a prefeitura cobrava a liberação dos recursos, o Ministério das Cidades cobrava o Plano de Mobilidade Urbana, e não entregaram até agora. Depois veio a necessidade do ajuste fiscal”, disse.
A petista também garante que “não é enrolação do governo” e também defende o desnecessário gasto de quase R$ 1 bilhão para a implantação do corredor exclusivo de ônibus na região, já que o trajeto contará com a alimentação do sistema metrô.
“Por que um BRT paralelo a esse processo [metrô]? Sinceramente, hoje, com a chegada do metro não vejo necessidade do BRT ligando”, opinou. 
Sobre o Plano de Mobilidade (PlaMob), a Política Nacional de Mobilidade Urbana determina que cidades com mais de 20 mil habitantes são obrigadas a elaborar o PlanMob, instrumento de política de desenvolvimento urbano que tem objetivo de promover a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas na capital baiana.
Sem o Plano, as gestões municipais ficam impedidas de receber recursos do governo federal. A Secretaria de Mobilidade Urbana de Salvador já informou que o PlanMob só ficará pronto no primeiro semestre de 2016.
Até lá, nada entrará nos cofres soteropolitanos, caso o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ganhe fôlego. Para o BRT, segundo o secretário Fábio Mota em entrevista recente à Tribuna, os investimentos do governo federal foram acertados antes da exigência do PlaMob.
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