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Oposição racha em relação a Temer substituir Dilma


A oposição rachou em relação à possibilidade de um impeachment da presidente Dilma Rousseff que preserve o vice-presidente da República, Michel Temer, como eventual substituto da petista.
A ala ligada ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu a eleição presidencial em outubro passado, é contra uma queda de Dilma que mantenha Temer na Presidência. Aécio e seus aliados interpretaram o apelo público feito por Temer na quarta-feira, quando ele pediu união para evitar a aprovação de projetos que aumentem despesas públicas, como uma forma de se oferecer para substituir Dilma no futuro.
Na leitura de setores da oposição e até do governo, o vice teria se posicionado assumir o poder na hipótese de que os desdobramentos da crise no Congresso reforcem a possibilidade de votar as contas do governo de 2014. Se elas forem rejeitadas, poderia ser viabilizado um caminho para a abertura de eventual processo de impeachment. Ou seja, a chamada saída TCU (Tribunal de Contas da União), que alçaria Temer ao Palácio do Planalto.
O vice nega ter feito movimento político para enfraquecer Dilma. Afirma que a avisou de que daria uma declaração forte. Diz que seu apelo para reunificação se dirigia à união dos aliados do governo na Câmara, que sinalizara na tarde de quarta em reunião com ele que aprovaria projetos da chamada “pauta bomba” (aquela que aumenta gastos públicos sem preocupação com a origem dos recursos).
Em reação à possibilidade de Temer ser preservado caso Dilma venha a deixar o poder, os líderes do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), e na Câmara, Carlos Sampaio (SP), defenderam ontem que os protestos marcados para o dia 16 de agosto preguem novas eleições.
Acontece que isso dependeria de uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que atingisse Dilma e Temer e que está longe de ser tomada. Portanto, esse caminho parece o mais improvável atualmente.
Na ala tucana ligada ao governador Geraldo Alckmin (SP) e ao senador José Serra (SP), há interesse numa solução que preserve Temer e mantenha o calendário eleitoral inalterado. Ou seja, nova eleição presidencial somente em 2018, mantendo a normalidade institucional e evitando atalhos já adotados no passado.
Alckmin fez ontem homenagem a Temer no Palácio dos Bandeirantes. Na parcela rebelada do PMDB, também existe desejo de preservação do vice-presidente. Setores empresariais atuam no mesmo sentido. Portanto, a posição defendida pela ala do PSDB ligada a Aécio está em minoria no campo dos que pregam a hipótese de saída de Dilma do poder. Daí o apelo aos manifestantes.
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Dilma rejeita intriga sobre Temer
Hoje, é zero a hipótese de eventual renúncia da presidente Dilma Rousseff. Apesar da perda de popularidade, Dilma tem dito, como falou no programa de TV do PT, que sabe suportar pressão.
A presidente teve ontem reuniões separadas com Temer e com ministros petistas. Do vice, ouviu que ele não se apresentou como alternativa para substituí-la. Temer quis evitar intriga. Dos petistas, a presidente recebeu conselhos para ficar desconfiada em relação ao vice, mas ela acha que Temer é parceiro e tem agido com correção na crise.
Dilma está mais preocupada com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Como Cunha acelerou ações para desgastar o governo, Dilma agilizou a indicação de Rodrigo Janot para um novo mandato de dois anos como procurador-geral da República.
Só ontem, Cunha abriu três CPIs, excluiu o PT do comando dessas comissões e votou contas de governos passados. Assim, está abrindo caminho para apreciar no plenário da Câmara a eventual rejeição das contas de 2014 da presidente.
Nesse contexto, Dilma achou melhor indicar logo Janot, antes que o procurador-geral apresente a denúncia contra Cunha, que virá em breve. Avalia que esperar a denúncia para apontar Janot para a recondução poderia parecer uma troca política de favores.
Dilma conversou ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). Pediu apoio a Renan para barrar projetos da chamada “pauta bomba”, avisou que indicaria Janot para um novo mandato e que estava encaminhando ontem mesmo ao Senado a recondução.
Há uma aposta clara do governo de que a denúncia ao Supremo Tribunal Federal enfraquecerá Cunha, quem tem sido o líder que catalisa a rebelião na Câmara.
A presidente também cobrou que os demais ministros não deixem apenas a cargo de Temer a articulação política e busquem restabelecer pontes com deputados para recuperar uma base mínima na Câmara a fim de tentar evitar armadilhas de Cunha e superar a atual crise.
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