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Justiça dos EUA ofereceu acordo de delação premiada a Ricardo Teixeira

A Justiça norte-americana ofereceu acordo de delação premiada a Ricardo Teixeira na investigação de corrupção da Fifa. O contato ocorreu há dois meses, mas segundo apurou a reportagem, os pedidos do brasileiro impediram que a negociação avançasse, ao menos por enquanto. O ex-mandatário da CBF queria, entre outras coisas, imunidade completa e residência nos Estados Unidos.

Autoridades brasileiras foram acionadas para a intermediação, mas não acompanharam o desfecho do caso. "Os americanos já têm informações suficiente para transformar a vida dele num inferno", disse uma das pessoas que teve acesso ao pedido, ao ESPN.com.br.
Especialistas nesse tipo de negociação explicam as exigências feitas por Teixeira. Ambos falaram sobre o caso em tese, pois não conhecem os detalhes.
Especialistas nesse tipo de negociação explicam as exigências feitas por Teixeira. Ambos falaram sobre o caso em tese, pois não conhecem os detalhes.
Quanto ao pedido de residência nos Estados Unidos:
"Há vantagens criminais relevantes, por exemplo, se houver problemas com evasão de divisas, ou seja, manter dinheiro sem declarar fora do país, ao se transferir a residência para os Estados Unidos, a pessoa declara isso no processo de transferência. Outra vantagem é que deixa de ser processado em dois países e passa a ser somente nos Estados Unidos", explicou o advogado que trabalha em processos de cooperação internacional Pierpaolo Bottini.
"Porque certamente vai delatar muitas pessoa"A pessoa concorda em denunciar crimes que tenha conhecimento, mas pede para que não seja condenada por estes crimes que está denunciada. Isto não a livra de ser condenada em crimes que não tenha sido denunciante", disse Luiz Flávio Gomes.
"Você tem dois tipos de imunidade completa. Você pode ter a imunidade sem pena corporal (não vai preso) ou com pena corporal (vai preso), mas negociando para diminuir, por exemplo, reduzir quatro, cinco crimes em que esteja respondendo a apenas um", segundo Bottini.
Nestas negociações, os envolvidos têm de devolver o dinheiro que foi obtido ilicitamente, segundo Luiz Flávio. O jurista afirma também que a imunidade só é possível quando o denunciante tem informações muito relevantes.
Procurado, Teixeira não quis falar com a reportagem, mas negou que tenha sido procurado para um acordo. O ex-dirigente diz que não recebeu contato nem do FBI, nem de nenhuma autoridade americana e que não negocia, portanto, nenhuma colaboração.
Segundo os especialistas ouvidos pelo ESPN.com.br, se o envolvido revelar o acordo antes de autorizado, ele perde os benefícios do acerto.
Em entrevista para o jornal 'Folha de S. Paulo', no último domingo, Teixeira admitiu que é um dos investigados pelo departamento de Justiça dos EUA, mas afirmou que não participou de nenhum esquema de propina. 

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