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Protesto dia 15 em SP é ensaio para o 'Não vai ter Copa'

Manifestação a cerca de 1 quilômetro do Castelão, em Fortaleza, durante a Copa das Confederações (© Getty)

As imagens ainda tiram o sono de dirigentes e governantes: milhares de pessoas protestando nas ruas e se misturando a torcedores estrangeiros desnorteados sob o som e o cheiro de bombas de efeito moral atirados pela polícia enquanto a alguns metros dali se disputavam partidas de futebol assistidas mundo afora.


Foi assim durante a Copa das Confederações-2013, quando, segundo a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do ministério da Justiça - Sesge -, 864 mil pessoas se juntaram a manifestações populares nas seis cidades-sede da competição - Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador.
Na próxima quinta-feira, 15 de maio, em São Paulo, o país verá um ensaio do que pode acontecer durante a Copa do Mundo, evento de proporções muito maiores que o disputado por aqui no ano passado, com início em 12 de junho.
O Comitê Popular da Copa, grupo que abrange movimentos sociais e questiona os impactos e violações cometidos ao longo da organização do Mundial contra os direitos humanos, participou de alguns dos atos ocorridos em 2013 e organizou para a semana que vem sua primeira grande mobilização neste ano.
Estima-se que cerca de 15 mil pessoas possam participar do evento, que partirá no final da tarde da Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, até o Estádio do Pacaembu. O grau de adesão da população servirá como um termômetro do que virá nos próximos dias.
"A gente espera que seja um grande ato. Estamos nos articulando com muitos movimentos populares, população em situação de rua, partidos de esquerda, movimento estudantil, movimentos sociais", explica Juliana Machado, participante do Comitê.
Outros protestos foram realizados no país em 2014, nenhum, porém, com o vigor daqueles realizados no ano passado.
"Houve um recrudescimento por parte da polícia, especialmente contra as manifestações que dizem respeito às violações da Copa. A violência policial institucional é uma marca da história desse país. Recentemente, foi possível lembrar tanto para nós que fazemos a luta quanto para o Estado que é possível conquistar vitórias nas ruas. E o Estado, ao invés de abrir diálogo, reprime", diz Juliana Machado.
O Estado, de fato, tem se preparado para evitar que a mobilização de 2013 se repita agora. O Sesge já gastou R$ 40 milhões na compra de armas de baixa letalidade, como balas de borracha e sprays de pimenta. A Força Nacional de Segurança Pública deverá ter de prontidão uma tropa formada por 10 mil homens. Até mesmo o exército pode ser requisitado se necessário. A ‘Folha de S.Paulo' informou que policiais brasileiros têm recebido treinamento de paramilitares norte-americanos.
Questionada sobre o comportamento recente com os manifestantes, a polícia militar respondeu à reportagem do ESPN.com.br que "atua sempre para garantir os direitos e liberdades fundamentais. Numa manifestação, o objetivo do policiamento sempre foi e continuará sendo o de garantir a liberdade de expressão e o direito de reunião. À verdade, em 2014, já ocorreram seis atos contra a Copa do Mundo. A Polícia Militar acompanhou a todos e obteve resultados satisfatórios."
Segundo a ‘Agência Estado', foi montado um gabinete de crise informal e permanente no governo federal para resolver eventuais problemas com protestos durante a Copa. Encontros entre membros do governo federal e de governos estaduais têm sido realizados com movimentos sociais a fim de apaziguar os ânimos.
Um controverso projeto de lei de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PRB/RJ), Ana Amélia (PP/RS) e Walter Pinheiro (PT/BA) dá margem para que manifestantes sejam considerados terroristas e possam ser condenados a até 30 anos de prisão.
Cuidados que, aparentemente, convencem o presidente da Fifa, Joseph Blatter, de que a Copa transcorrerá sob perfeita paz. Durante a Copa das Confederações, carros com dirigentes da entidade que comanda o futebol mundial foram atacados em meio a protestos. Teria-se cogitado cancelar o torneio por conta da onda da violência das ruas.
"Ninguém neste mundo pode querer agradar a todos. É impossível, mas sou otimista e tenho certeza que quando começar a competição, todos os brasileiros se unirão como uma pessoa só para celebrar a festa do futebol", declarou anteriormente o dirigente.
Juliana Machado prefere não responder se já estão sendo organizados atos para os dias de disputa da Copa, mas garante: as manifestações continuarão acontecendo antes, durante e depois do Mundial. "Muito mais que dizer que não vai ter Copa, o Comitê quer dizer que queremos moradia, trabalho ambulante, política contraria à repressão policial. Claro que agora a ação se intensifica, mas a luta não começou em 2013 e não vai terminar em 2014. Os movimentos populares estão aí há bastante tempo e vão continuar atuando durante o tempo que for necessário por esses direitos básicos fundamentais."
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