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Mortos são colocados em fila à espera do fim da greve dos agentes do IML

Caixões no IML: à espera do fim da greve
 
Um grupo de funcionários terceirizados que prestam serviços para o Instituto Médico-Legal (IML) paralisaram ontem, em Salvador. Ficaram suspensos serviços como levantamento cadavérico, necropsia, liberação de corpos. Os trabalhadores realizaram na manhã de ontem uma manifestação em frente à sede da instituição exigindo o pagamento dos salários atrasados dentre outros benefícios, enquanto uma fileira de mortos em caixões fúnebres aguardava um destino digno. 
A paralisação, que incluiu sala de limpeza e geladeira, causou insatisfação e tristeza aos familiares que esperavam na sala do órgão por uma solução para seus entes queridos desaparecidos. Devido à situação, caixões foram enfileirados pelos familiares na sede do órgão enquanto aguardavam a liberação dos corpos dos seus parentes. 
 De acordo com o auxiliar de remoção Marcelo Santana, há dois meses a empresa terceirizada Alliance, responsável pelos funcionários, não paga os salários dos trabalhadores, e nem os benefícios como 13°, alimentação e transporte. “Há dois meses a empresa começou a atrasar os salários e a pagar como quer. Nós telefonávamos para pedir explicações e eles não atendiam o telefone. Mesmo querendo fazer greve, nós continuamos trabalhando por meio de escalas, fazendo revezamento, por medo de perder nossos empregos, mas agora não vamos nos calar perante essa situação que nos prejudica”, afirmou.
Outro funcionário que não quis se identificar falou que até o momento o pagamento do 13° salário não foi pago. “Estamos entregues ao acaso. A paralisação foi a única forma que encontramos para chamar atenção da empresa”, declarou. As irmãs Cristiane e Maria Lopes contam que desde a noite de segunda-feira estão angustiadas com a não liberação do corpo da irmã. “Estamos aqui desde cedo esperando. Além do sofrimento de perder um familiar, ainda temos que ficar aqui horas sem saber o que será feito. É um absurdo como somos tratados pelo serviço público”, disse.
Drama também para o vendedor João Fernando Santos que após perder o filho teve que amargar a dura espera. “É um sofrimento e uma humilhação sem tamanho o que estamos vivendo aqui. Pagamos nosso imposto e até na hora da morte somos tratados de forma tão desumana e desrespeitosa”, observou.
De acordo com Rafael Souza, diretor da empresa Alliance, responsável pela terceirização, a empresa está com um atraso de 19 dias no pagamento dos funcionários  referente ao mês de outubro e não de dois meses como alegam os trabalhadores. Ainda segundo o diretor, os benefícios de vale-transporte e alimentação também já foram pagos.  Ele afirmou que o atraso no pagamento tem ocorrido porque o estado há três meses não tem repassado a verba para a empresa. “Temos todos os comprovantes de pagamentos dos meses de agosto e setembro. O estado atrasou o repasse da verba  há três meses, por conta disso não conseguimos fazer  o pagamento da folha em dia. Estamos empenhados em resolver a situação o mais rápido possível”, justificou. 
Em nota, a Assessoria de Comunicação do DPT informou que a direção esteve reunida com re presentantes dos funcionários da empresa Alliance, quando foram informados todos os procedimentos já adotados pela Instituição para sanar o problema do atraso do salário (do mês de outubro)  e outros benefícios. Conforme acordado nesta reunião, os serviços essenciais irão prosseguir e à tarde ocorre outra reunião com a participação de representante da empresa terceirizada para novas definições.

Fonte: Tribuna da Bahia
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