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'Salvador tem transformado seus rios em esgoto', diz professora da UFBA

 Conversaram com especialistas e faz panorama de três rios da cidade.
Rio das Pedras, dos Seixos e Lucaia foram tampados para requalificação.
rio das pedras; boca do rio; bahia (Foto: Reprodução/Caminho das Águas)Rio das Pedras, que corta o bairro da Boca do Rio e Imbuí, passou pelo processo de temponamento. Hoje em dia, na parte superior há uma estrutura de lazer. Rio continua poluído.Salvador possui 12 bacias hidrográficas que cortam a cidade. Três delas são alvos de ações desrespeitosas pela prefeitura, é o que garantem especialistas em urbanização e meio ambiente da capital. Na data que se comemora o Dia Mundial da Água, o G1 ouviu especialistas para saber como andam esses rios e se a política de urbanização nessas localidades está sendo feita de forma coerente, respeitando o meio ambiente e a sociedade.“Não existe uma política urbano-ambiental em Salvador. O que existe são alguns órgãos que ficam responsáveis pela gestão ambiental e que possuem até profissionais competentes, mas não há de fato, uma política de governo voltada para a questão ambiental. Todo o processo de drenagem dos rios da cidade não deve ser confundido com esgoto. O que deveria acontecer em Salvador é a reciclagem dos rios adequando-os às paisagens urbanas”, é o que diz o professor de projetos da faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Neilton Dórea.Rio dos Seixos, das Pedras e Lucaia


Em 2008 o rio dos Seixos, que fica localizado entre o Vale do Canela e o Morro do Cristo e possui cerca de 1,5km foi tampado na extensão da avenida Centenário durante uma ‘reforma de requalificação’ do local. O espaço atualmente conta com uma área de lazer para a população com pista de cooper, ciclovia, equipamentos de ginástica e outros campos de lazer. O bairro do Imbuí também passou por uma obra de tamponamento, fechando e escondendo o Rio das Pedras, sendo transformado em uma galeria subterrânea, e que atualmente conta na parte requalificada com área de lazer.Na avenida Vasco da Gama outra obra está sendo realizada e tampando o rio Lucaia, que se estende ao longo de 1,3 Km da avenida, entre a entrada da Ogunjá e o entroncamento com a avenida Anita Garibaldi. A obra tem investimento de R$ 50 milhões e é realizada em parceria entre a Prefeitura Municipal e o Ministério da Integração Nacional através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Com relação às obras realizadas, a Secretaria Municipal de Obras Públicas de Salvador (Sucop), responsável pelas reformas feitas pela prefeitura da capital baiana, informou através de nota oficial que “todas as grandes obras de macrodrenagem realizadas nos canais da cidade, têm como intuito solucionar pontos históricos de alagamentos em rios com um estado muito avançado de poluição”. A nota informou ainda que esses projetos são frutos das solicitações da própria população, ficando a Sucop responsável em desenvolver o projeto e executar as obras.“Não houve uma discussão aberta com a sociedade. Faço parte do Conselho Comunitário Social e de Segurança do Engenho Velho da Federação e fico sentida porque essa área é mais do que um esgoto, é um rio, que merece ser tratado e limpo por órgãos competentes. As grandes capitais tratam seus rios e não tapam, como está sendo feito aqui em Salvador. Até 1950, pessoas pescavam camarão no Rio Lucaia”, disse Angela Lühning, professora titular da UFBA e diretora da Fundação Pierre Verger.Ela mora há 24 anos em uma rua transversal a avenida Vasco da Gama. Em 2011 lançou em parceria com Babá PC o livro “Casa de Oxumarê: os cânticos que encantaram Pierre Verger”. No primeiro capítulo da publicação, ela relembra a história do rio Lucaia e sua importância histórica para a comunidade de candomblé. Ela e outros intelectuais e especialistas escreveram uma carta aberta contra a cobertura dos rios de Salvador.
Fonte:  G1BA

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