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Prefeitura investe R$ 30 mil na folia, mas desconhece lucro

 O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, anunciou nesta quarta-feira, 22, um prejuízo parcial de R$ 8 milhões com a organização do Carnaval 2012. Mas a conta é imprecisa porque trabalha com uma despesa de R$ 30 milhões que se repete há três anos, estimada por estudo feito em 2009, e com uma receita de R$ 22 milhões, que não incluiu os ganhos decorrentes da arrecadação do Imposto Sobre Serviço (ISS) cobrado de bares, restaurantes, hotéis, blocos e camarotes.

A imprecisão se revela pelo próprio prefeito João Henrique. No último dia 14, matéria publicada no site oficial do Carnaval registra: “O prefeito reconheceu que o valor ainda é muito pouco, face à despesa com a realização da festa, três vezes maior que o valor da atual arrecadação”.

Questionado sobre o porquê de uma despesa estanque em R$ 30 milhões, Edivaldo Brito afirmou que “não considera Carnaval como despesa” e que “há diferença técnica entre despesa específica e investimento (custo)”.  O vice-prefeito, também coordenador da organização do Carnaval, disse ainda que não havia “elementos” para mensurar os custos da festa.

Frente às contas inconclusas, o presidente da Empresa de Turismo de Salvador (Saltur), Cláudio Tinôco, responsável pela captação dos patrocínios para o Carnaval, defende que a folia é “autossustentável”.
O gestor se baseia no Relatório Diagnóstico Mercadológico Carnaval 2009, realizado a seu pedido pela empresa de consultoria Mídia e Planejamento Comunicação.

Relatório -  O estudo, que se valeu de pesquisas da Ufba e de dados de órgãos municipais, aponta uma movimentação financeira de pouco mais de R$ 1 bilhão durante seis dias de festejos.

Os cálculos  do relatório revelam que o Carnaval de Salvador só deixou de gerar prejuízo para os cofres públicos municipais a partir de 2010, ao mesmo tempo que a geração de renda permaneceu concentrada em três segmentos econômicos.

A virada de um cenário deficitário para um superavitário se deu em 2010, puxada por uma escalada crescente, a partir de 2007, da captação de patrocínios pela prefeitura. O montante obtido com as cotas saiu de R$ 2,9 milhões naquele ano para R$ 17,2 milhões agora em 2012, um aumento de quase 500%. 

Transparência - Estudioso do Carnaval, o professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Ufba, Paulo Miguez, critica a falta de transparência da Prefeitura de Salvador.
“Uma lacuna grande do Carnaval é a falta de indicadores que permitam fornecer as várias dimensões da festa, inclusive a financeira e econômica. A prefeitura jamais fez um esforço para ter transparência”, diz o professor.
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