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Borges volta a ser citado para ministério

Preocupada com a entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff dá sinais de que fortalecerá o PR no Ministério dos Transportes, com o objetivo de abrir caminho para a aliança em torno do petista Fernando Haddad. Sem o PSD do prefeito Gilberto Kassab, que apoia Serra, Haddad corre para obter o aval do PR e engordar o tempo de sua exposição na propaganda política.


O Palácio do Planalto avalia agora os nomes do vereador Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR paulistano, e do ex-senador César Borges para a cadeira hoje ocupada por Paulo Sérgio Passos nos Transportes. A ideia é contemplar o PR no ministério e levar o partido a compor a chapa como vice de Haddad.

Rodrigues é suplente da senadora Marta Suplicy (PT-SP), conta com a simpatia do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e de fatia expressiva do partido, que quer emplacá-lo de qualquer jeito no governo. Embora petistas como o deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, digam que partido deve procurar o PMDB, uma parte do governo avalia que a manutenção da candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) pode ser positiva para Haddad.

O argumento para essa análise é o de que o eleitor de Chalita também vota em Serra, como indicam pesquisas de intenção de voto. Por esse raciocínio, sua permanência na disputa pode impedir o voto útil no PSDB.

Dilma foi orientada a não falar sobre a candidatura Serra, o apoio de Kassab a ele e também a desconversar sobre o desfecho da reforma ministerial. O PR cobra a substituição do atual ministro dos Transportes para apoiar a candidatura de Haddad. Técnico, Paulo Sérgio Passos assumiu a pasta em julho, quando Alfredo Nascimento, hoje senador, foi defenestrado da Esplanada no rastro de denúncias de corrupção. Embora filiado ao PR, Passos não conta com o aval do partido.

PEDETISTAS - Apesar da pressão do PT para que Dilma também resolva logo o impasse com o PDT, que está com um interino no Ministério do Trabalho, o governo não vai agir antes do resultado da votação do Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp). Motivo: o PDT ameaça votar contra a proposta ou mesmo se abster no plenário.

O relacionamento do Planalto com o PDT tem enfrentando problemas desde a queda do ministro do Trabalho, Carlos Luppi, também acusado de desvio de recursos públicos. Agora, o PDT apresentou como pré-candidato à Prefeitura de São Paulo o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, mas os petistas desconfiam que o partido está negociando com Serra.
Tribuna
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